
RELIGIÃO
Existem diferentes cosmologias afro-brasileiras. Apesar disso, é possível dizer que as religiões de matriz africana compartilham uma ideia de culto à ancestralidade integrada à natureza. Quando alguém se inicia numa religião de matriz africana, ganha uma família simbólica, uma rede de parentesco espiritual que também demanda responsabilidades.
A espiritualidade não acontece apenas nas festas públicas que costumeiramente se vêem nos ilês (terreiros), mas também no cotidiano, no aprendizado oral da liturgia e dos rituais, no preparo das comidas, nos cuidados com as plantas, na oralidade e na convivência. Tudo possui Axé (energia vital), e buscamos manter o equilíbrio desta energia.
CONTEXTO HISTÓRICO
Essas diferentes cosmologias foram trazidas pelos africanos de diferentes etnias, escravizados no período colonial. São resultados desses múltiplos sistemas culturais, adaptados em meio a estratégias de sobrevivência física, fruto da resistência cultural e espiritual. Assim, nossos ancestrais escravizados ressignificaram suas práticas litúrgicas, adaptaram seus rituais tradicionais e conseguiram assegurar uma tradição oral milenar, saberes que perduram até hoje.

ALAGOAS
Alagoas possui uma história de enfrentamento religioso marcado profundamente como “Quebra de Xangô", onde terreiros foram destruídos e objetos sagrados quebrados. A comunidade nagô alagoana resistiu a essa perseguição religiosa.
Se o Quilombo histórico era o refúgio físico nas matas, os terreiros consolidaram-se como quilombos contra o racismo estrutural e a intolerância religiosa.
ILÊ AXÉ NAVIZALA
O Ilê Axé Navizala é um terreiro de Matriz Africana localizado na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas.
É um espaço conhecido por realizar celebrações tradicionais, como a Festa de Caboclo Boiadeiro, que atrai fiéis e turistas para vivenciar a oferta de comidas de axé e Jurema Sagrada.
Além da atividade religiosa, o terreiro faz parte do roteiro cultural da Serra da Barriga, contribuindo para a preservação da memória de Zumbi dos Palmares e da ancestralidade negra no Brasil.