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CATÁLOGO DIGITAL DO ACERVO

Estatueta Preta Velha Vó Rosa – Vó Celina

Busto de Cigana Iracema – Vó Celina

Cálice de Oyá – Vó Celina

Indumentárias de Xangô – Vô Rubilio

Igbá de Oxum – Vó Celina

Igbá de Iemanjá – Vó Celina

Igbá de Exu – Vó Celina

Estatueta de Preto Velho – Vô Rubilio

Cálice de Oyá – Vó Rubilio

Ofange de Oyá – Vó Celina

Indumentárias de Ogum – Vô Rubilio

Igbá de Oxalá – Vó Celina

Estatueta Exu – Vó Celina

Igba Bara – Zé do Café

Igba de Nkissi Tempo – Vô Rubilio

Coroa em cobre – Vô Rubilio

Igbá de Oyá – Vó Celina

Igbá de Ogum – Vô Rubilio

Igbá de Xangô – Vó Celina

Igba de Exu – Vó Celina

Indumentárias de Sapatá – Vô Rubilio

Escultura de Cleópatra – Vó Celina

Igba de Oyá – Vô Rubilio

Indumentárias de Sapatá – Vô Rubilio

Igbá de Oxum – Vô Rubilio

Igbá de Xangô – Vô Rubilio

Igbá de Exu – Vó Celina

Igbá de Iemanjá – Vô Rubilio

Igbá de Oxum - Vô Rubilio
Acervo de Memorial Oxum Danguê

O Memorial Oxum Danguê conta a história de uma família de santo, de uma árvore genealógica de axé. Nasce hoje digitalmente, mas, em um futuro breve, existirá dentro do solo sagrado do Palácio Oyá d’Oxum, um terreiro de Umbanda nagô localizado em Maceió, e de sua extensão, o Ilê Axé Navizala, na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Mais do que um repositório, este memorial se constitui como um dispositivo anticolonialista de memória, espiritualidade e conhecimento, afirmando o terreiro como território vivo de produção de saber e resistência. Esse memorial nasce da vontade de nossa iyalorixá, Mãe Neide Oyá d’Oxum, de honrar uma importante missão recebida de sua mãe-de-santo, Mãe Celina de Oxaguiã: guardar e cuidar dos ancestrais da família. Esses ancestrais, conservados e alimentados por décadas, testemunham não somente a história de nossa rama de axé, mas também a história de Alagoas, fragmentada e atravessada por lacunas produzidas pela repressão de 1912, conhecida como Quebra de Xangô. Assim, ao preservar e ativar essas memórias, o memorial também se posiciona frente às violências coloniais que atingiram os terreiros e seus modos de existência, reconhecendo que seus efeitos persistem no presente. Mãe Celina nos deixou aos 103 anos, em 2020, com o desejo de que sua filha, Mãe Neide, tomasse conta desses “santos velhos”. Mãe Neide cumpriu sua vontade e, desde seu retorno ao Orum, esses objetos sagrados permanecem em nosso terreiro, vivendo através de nossos fundamentos. Engajada em múltiplos projetos de valorização da cultura afro-indígena alagoana, sendo ela mesma Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas, Mãe Neide reuniu uma equipe de filhos de santo para a construção deste museu de terreiro, no terreiro: um espaço que articula memória, espiritualidade e conhecimento a partir de epistemologias afro-diaspóricas, rompendo com a lógica colonial de musealização e conservação e reivindicando o terreiro como lugar legítimo de produção de saber. Os objetos que expomos aqui estão vivos. São nossos ancestrais: avó, bisavô, tataravô. Respectivamente Mãe Celina de Oxaguiã, Pai Rubilio Souto Maior e Zé do Café. Eles são os pilares da nossa história. Por que decidimos tornar esses objetos sagrados, normalmente protegidos de olhos não iniciados, acessíveis num ambiente digital? Essa decisão é, ao mesmo tempo, um gesto de cuidado e de posicionamento. Sabemos que, historicamente, nossas narrativas foram marginalizadas por uma “História Oficial” elitista e branca, e que muitos objetos sagrados de comunidades de terreiro foram roubados, deslocados e expostos em museus, no Brasil e no mundo, dissociados de seus contextos e de suas funções vitais. Além do axé que carregam, esses objetos são portadores de práticas litúrgicas e de sistemas de conhecimento transmitidos oralmente. Quando afastados de nosso convívio, essas práticas, saberes, técnicas e estéticas correm o risco de desaparecer. Ainda hoje vivemos os efeitos dessas violências e, por isso, buscamos construir formas de reparação. Para nós, a reparação começa pelo conhecimento de nossa própria história. É nesse sentido que decidimos compartilhar esses objetos sagrados. Acreditamos que eles são também documentos fundamentais de uma história pouco contada (a história de Alagoas, do Brasil e da diáspora africana) e que podem contribuir para pesquisas de proveniência, identificação e reconhecimento de objetos sagrados dispersos pelo mundo. Com essa exposição digital, buscamos ampliar as possibilidades de acesso, conexão e circulação dessas narrativas, sem, no entanto, dissociá-las de seus contextos de origem. Nosso desejo é criar uma plataforma que articule tecnologia e ancestralidade, promovendo encontros entre diferentes temporalidades e geografias da diáspora africana. Ao trazer nossos objetos sagrados para este espaço, não os transformamos em objetos distantes, mas reafirmamos sua condição de presenças vivas, inscritas em uma rede contínua de memória, ancestralidade e resistência. O Memorial Oxum Danguê é, portanto, um território em movimento. Um espaço onde passado, presente e futuro se entrelaçam, onde a ancestralidade é cultivada cotidianamente como fundamento, e onde outras formas de narrar, conservar, transmitir e produzir conhecimento se tornam possíveis. Nosso projeto contou com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB (Lei nº 14.399/2022), voltada para ações de pesquisa e salvaguarda do patrimônio cultural. Os resultados aqui apresentados, embora de extrema qualidade graças aos esforços da equipe Núcleo Zero, representam uma primeira etapa deste projeto. Por isso, é importante destacar que não são definitivos e poderão ser objeto de futuras revisões e aprofundamentos a partir do avanço das pesquisas. Seguimos calendários e honramos prazos curtos diante da complexidade das questões históricas e antropológicas que emergiram nas primeiras investigações. Continuaremos nossas pesquisas buscando preencher lacunas por meio de nossa tradição oral, de nossos mais velhos, mas também de arquivos e documentos. Nosso memorial é vivo e, como tal, estará sempre em processo de construção.

Igbá de Oxum - Vô Rubilio
Acervo de Memorial Oxum Danguê

FICHA TÉCNICA

Igbá de Ogum - Vô Rubilio
Acervo de Memorial Oxum Danguê

PROJETO EXPOSITIVO, PRODUÇÃO DE CONTEÚDO E TECNOLOGIA

ESTÚDIO NÚCLEO ZERO

WERNER SALLES BAGETTI

Coordenação de conteúdo, design e tecnologia

WEBER SALLES BAGETTI
Ilustrações

ULYSSES RIBAS
Design gráfico e motion design

REBECCA MACHADO BARBOSA
Design gráfico e digital

MALEC VASCONCELOS VALENTIM
Estagiário em design gráfico

VICTOR GUERRA
Coordenação executiva

LARISSA FONTES

Fotos e Textos

Igbá de Oxum - Vó Celina
Acervo de Memorial Oxum Danguê

+55 82 99620-5364

guesbinae@hotmail.com

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